{"id":297,"date":"2026-04-23T17:58:42","date_gmt":"2026-04-23T20:58:42","guid":{"rendered":"https:\/\/projetos.ufpr.br\/omnibus\/?page_id=297"},"modified":"2026-04-28T16:31:54","modified_gmt":"2026-04-28T19:31:54","slug":"step","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/projetos.ufpr.br\/omnibus\/step\/","title":{"rendered":"STEP &#8211; Simp\u00f3sio Tradu\u00e7\u00e3o e Performance UFPR"},"content":{"rendered":"\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>II Simp\u00f3sio Tradu\u00e7\u00e3o e Performance<\/strong> &#8211; 13 a 15 de maio de 2026<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/instagram.com\/traducao.performance\">http:\/\/instagram.com\/traducao.performance<\/a> \/ <a href=\"mailto:step.ufpr@gmail.com\">step.ufpr@gmail.com<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1080\" height=\"1350\" src=\"https:\/\/projetos.ufpr.br\/omnibus\/wp-content\/uploads\/sites\/114\/2026\/04\/42cb0d98-d76a-4b62-9938-1d7a7cd3c1a2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-392\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Realiza\u00e7\u00e3o: Universidade Federal do Paran\u00e1 (Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Letras,&nbsp; Departamento de Polon\u00eas, Alem\u00e3o e Letras Cl\u00e1ssicas e projeto Omnibus: Letras cl\u00e1ssicas para todo mundo<\/p>\n\n\n\n<p>Apoio: Programa Capes-Proex<\/p>\n\n\n\n<p>Local: Curitiba, Paran\u00e1 &#8211; Ed. D. Pedro I, Ria Gen. Carneiro, 460, Curitiba-PR <\/p>\n\n\n\n<p>Encerramento: Nina Bar (Rua Marechal Deodoro, 847)<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Organiza\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ana Carolina Galv\u00e3o Appel<\/p>\n\n\n\n<p>Celso Henrique Siller Baptisti<\/p>\n\n\n\n<p>F\u00e1bio Paifer Cairolli<\/p>\n\n\n\n<p>Layla Gabriel de Oliveira&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Luna Madsen Barbosa de Matos<\/p>\n\n\n\n<p>Martim Ferreira Fernandes<\/p>\n\n\n\n<p>Rodrigo Francisco Barbosa<\/p>\n\n\n\n<p>Rodrigo Tadeu Gon\u00e7alves<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Programa\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quarta-feira, 13 de Maio de 2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>UFPR. Ed. D. Pedro I, 1\u00ba andar, Sala Homero de Barros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>14h00: Mesa redonda 1: \u201cTradu\u00e7\u00e3o e literatura\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Paula Abramo (UNAM-M\u00e9xico), \u201cMundo de \u00e1guas brabas: desafios da tradu\u00e7\u00e3o de <em>Macuna\u00edma<\/em> e <em>O turista aprendiz <\/em>no M\u00e9xico\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Vitor Alevato do Amaral (UFF), \u201cJames Joyce, tradutor de ALP\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Media\u00e7\u00e3o: Rodrigo Tadeu Gon\u00e7alves (UFPR).<\/p>\n\n\n\n<p>16h: Sess\u00e3o de comunica\u00e7\u00f5es 1:<\/p>\n\n\n\n<p>Victoria Toscani, \u201cMet\u00e1fora e g\u00eanero em Yoshida Kenko\u201d<br>Renata Mocelin Penachio, \u201cTraduzir o ch\u00e3o que traduz: ritmo, corpo e performance nas po\u00e9ticas camponesas\u201d<br>Luci Rivka Ramos Mendes, \u201cSonata de Ver\u00e3o: tradu\u00e7\u00e3o erotohistoriogr\u00e1fica de um poema de Celia Dropkin\u201d<br>Coordenadora: Ana Appel<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quinta-feira, 14 de Maio de 2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>UFPR. Ed. D. Pedro I, Anfiteatro 100<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>14h00: Mesa redonda 2: \u201cA tradu\u00e7\u00e3o tridimensional: a triangula\u00e7\u00e3o da tradu\u00e7\u00e3o indireta\u201d<br>Layla Gabriel Oliveira (UFPR), \u201cAurora nasce, de floridos dedos: traduzindo Homero via Emily Wilson\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ana Appel (UFPR), \u201cEspero pelo retorno da lua\u201d: tens\u00e3o e desestabiliza\u00e7\u00e3o de sentido em tradu\u00e7\u00f5es de narrativas ind\u00edgenas sul-africanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Media\u00e7\u00e3o: Paula Abramo (UNAM-M\u00e9xico).<\/p>\n\n\n\n<p>16h00: Sess\u00e3o de comunica\u00e7\u00f5es 2:<br>Giovani Cazaroto. \u201c\u03b1\u1f30\u03cc\u03bb\u03bf\u03bd \u03c3\u03c4\u03cc\u03bc\u03b1: a linguagem entre o iridescente e o s\u00edsmico\u201d<br>Luiz Fernando Huf. \u201cCaminhos para a tradu\u00e7\u00e3o das baladas de Edgar Allan Poe\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Beatriz Ilek Rey. \u201cCresci entre Marcs, Serges e Yvans: fragilidade masculina e os sentimentos que n\u00e3o suportam ser nomeados em Art de Yasmina Reza\u201d<br>Coordenador: Rodrigo Barbosa<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sexta-Feira, 15 de Maio de 20026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>UFPR. Ed. D. Pedro I, Anfiteatro 100<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>14h00: Sess\u00e3o de Comunica\u00e7\u00f5es 3:<\/p>\n\n\n\n<p>Guilherme Delgado, \u201cSobre dar \u00e0 voz a um poeta: Corpo, Performance e Tradu\u00e7\u00e3o&nbsp; em \u201cApparuit\u201d, de Ezra Pound\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Celso Baptisti, \u201cPrud\u00eancio, o l\u00edrico: sobre pensar ritmo e performance no <em>Liber Peristephanon<\/em>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Rodrigo Barbosa, \u201cNietzsche e a po\u00e9tica da forma do vir-a-ser\u201d<br>Coordenador: F\u00e1bio Cairolli<\/p>\n\n\n\n<p>16h30: Confer\u00eancia de encerramento:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Dinastias e Drag\u00f5es: o poema Beowulf como paneg\u00edrico din\u00e1stico na Inglaterra medieval&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Elton Medeiros (UFPR-PGHIS), modera\u00e7\u00e3o Anna Beatriz Paula (UFPR-PPGLetras)<\/p>\n\n\n\n<p>Coordenadora: Layla<\/p>\n\n\n\n<p>Performances po\u00e9tico-dram\u00e1ticas:<\/p>\n\n\n\n<p>13, 14 e 15, das 8h \u00e0s 13h, no p\u00e1tio da Reitoria<\/p>\n\n\n\n<p>Traduza um poema comigo, por Luna Madsen<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Encerramento:<\/p>\n\n\n\n<p>19h00, Nina Bar (Rua Marechal Deodoro, 847): Encerramento com performances<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Luiz Felipe Leprevost (Poeta e Diretor da Biblioteca P\u00fablica do Paran\u00e1)<\/li>\n\n\n\n<li>Luna Madsen (UFPR): \u201cTradu\u00e7\u00e3o-participativa de Fast Speaking Woman, de Anne Waldman\u201d<\/li>\n\n\n\n<li>Grupo de Tradu\u00e7\u00e3o de Teatro: 3 microdramas de Wolfgang Bauer: Romeu e Julieta, Cle\u00f3patra, Sigmund Freud (Alan Santiago Nor\u00f5es Queiroz, Helo\u00edsa Rodrigues Pahl. Ruth Bohunovsky, Walter Lima Torres Neto)\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li>Microfone aberto<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Resumos:<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Paula Abramo: &#8220;Mundo de \u00e1guas brabas: desafios da tradu\u00e7\u00e3o de Macuna\u00edma e O turista aprendiz no M\u00e9xico&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, gra\u00e7as \u00e0 entrada da obra de M\u00e1rio de Andrade no dom\u00ednio p\u00fablico, come\u00e7aram a se multiplicar, no M\u00e9xico, publica\u00e7\u00f5es de seus textos, que at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s limitavam-se a alguns poemas e \u00e0 hist\u00f3rica \u2014e por muito tempo \u00fanica\u2014 tradu\u00e7\u00e3o para o espanhol de Macuna\u00edma: o her\u00f3i sem nenhum car\u00e1ter de H\u00e9ctor Olea. Nesta palestra falarei sobre a minha experi\u00eancia traduzindo, nesse contexto, Macuna\u00edma e primeira parte de O turista aprendiz. Trata-se de textos cuja tradu\u00e7\u00e3o desde o M\u00e9xico apresenta desafios espec\u00edficos que, se por um lado deixam claras as dist\u00e2ncias culturais e geogr\u00e1ficas, por outro revelam identidades compartilhadas que destacam a import\u00e2ncia de traduzir uma obra produzida no sul global desde outra realidade do sul global, sem seguir as pautas do mercado e da cultura hegem\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Bio: Paula Abramo \u00e9 poeta e tradutora. Formada em Letras Cl\u00e1ssicas, na UNAM, traduziu do portugu\u00eas para o espanhol mais de 60 livros de autores como Clarice Lispector, Machado de Assis, Raul Pompeia, Manuel Ant\u00f4nio de Almeida, J\u00falia Lopes de Almeida, Luiz Ruffato, Ana Lu\u00edsa Amaral, Ana Martins Marques, Ang\u00e9lica Freitas, Gon\u00e7alo M. Tavares e Sophia de Mello Breyner Andresen, entre outros. Recebeu o Premio Bellas Artes de Traducci\u00f3n Literaria Margarita Michelena (M\u00e9xico) e o Premio Giovanni Pontiero de Traducci\u00f3n Literaria (Barcelona). \u00c9 membro do Sistema Nacional de Creadores de Arte (M\u00e9xico) e professora na Escuela Nacional de Lenguas, Ling\u00fc\u00edstica y Traducci\u00f3n (UNAM). Seu livro de poemas Fiat Lux foi recentemente publicado pela Editora 34 em tradu\u00e7\u00e3o de Gustavo Pacheco.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Vitor Alevato do Amaral: \u201cJames Joyce, tradutor de ALP\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Umberto Eco afirmou que as teorias da tradu\u00e7\u00e3o que negligenciam a tradu\u00e7\u00e3o de \u201cAnna Livia Plurabelle\u201d para o franc\u00eas e o italiano \u201cn\u00e3o ter\u00e3o enfrentado todos os problemas que deveriam\u201d (\u201cOstrigotta, ora capesco\u201d, 1966). \u201cAnna Livia Plurabelle\u201d foi publicado em livro em livro em 1928 e depois incorporada a Finnegans Wake (1939). Ainda que ambas essas tradu\u00e7\u00f5es tenha sido consecu\u00e7\u00f5es coletivas, Joyce tomou parte nelas. A tradu\u00e7\u00e3o francesa come\u00e7ou com Samuel Beckett e Alfred P\u00e9ron, mas foi interrompida por Joyce que decidiu coordenar os trabalhos da equipe formada por Paul L\u00e9on, Eugene Jolas e Ivan Goll. A tradu\u00e7\u00e3o italiana foi obra de Nino Frank, acompanhada de perto por Joyce. Frank deixou um importante depoimento sobre as sess\u00f5es de trabalho com o autor. Queremos: 1. discutir as fronteiras entre tradu\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o, uma vez que o pr\u00f3prio escritor do original atuou nas tradu\u00e7\u00f5es de ALP, e 2. propor que investiga\u00e7\u00e3o de casos-limite da tradu\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, como este, n\u00e3o sejam tratados como exce\u00e7\u00f5es e passem a incorporar a did\u00e1tica da tradu\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria em benef\u00edcio de vis\u00f5es te\u00f3ricas menos dogm\u00e1ticas e metodol\u00f3gicas e mais abertas e pensantes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Bio: Vitor Alevato do Amaral professor de Literaturas de L\u00edngua Inglesa da Universidade Federal Fluminense e l\u00edder do grupo de pesquisa Estudos Joycianos no Brasil. \u00c9 vice-coordenador do POSLIT\/UFF (2022-2025). Organizou e traduziu Outra poesia (Syrinx, 2022), que re\u00fane os poemas da juventude e os poemas de ocasi\u00e3o de James Joyce, e participou da tradu\u00e7\u00e3o coletiva de Finnegans Wake (Iluminuras, 2022), ganhadora do pr\u00eamio Jabuti de melhor tradu\u00e7\u00e3o (2023). \u00c9 membro do grupo de pesquisa KEW &#8211; Kyklos de Estudos Woolfianos. E-mail: vitoramaral@id.uff.br<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014<\/p>\n\n\n\n<p>Elton Medeiros: &#8220;Dinastias e Drag\u00f5es: o poema Beowulf como paneg\u00edrico din\u00e1stico na Inglaterra medieval&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Resumo: Esta confer\u00eancia prop\u00f5e uma leitura de Beowulf centrada em seu eixo sociopol\u00edtico, frequentemente eclipsado pelos elementos fant\u00e1sticos da obra. Prop\u00f5e-se que o poema opera como um paneg\u00edrico din\u00e1stico, no qual o conflito de linhagens e as tens\u00f5es tribais no poema estruturam sua narrativa. A an\u00e1lise busca demonstrar como a compreens\u00e3o dessas rela\u00e7\u00f5es de parentesco e poder \u00e9 indispens\u00e1vel para o trabalho de leitura e tradu\u00e7\u00e3o, garantindo que o rigor hist\u00f3rico e o ethos heroico da tradi\u00e7\u00e3o po\u00e9tica em ingl\u00eas antigo sejam preservados na l\u00edngua de chegada.<\/p>\n\n\n\n<p>Bio: Professor de Hist\u00f3ria Medieval do Departamento de Hist\u00f3ria da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) e professor permanente do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da UFPR (PPGHIS-UFPR), vinculado \u00e0 linha de pesquisa Cultura e Poder; coordenador do grupo \u00c6NEA \u2013 Estudos do Norte e Leste da Europa Antiga e Medieval.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014<\/p>\n\n\n\n<p>Beatriz Ilek Reis<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00edtulo: Cresci entre Marcs, Serges e Yvans: fragilidade masculina e os sentimentos que n\u00e3o suportam ser nomeados em <em>Art<\/em> de Yasmina Reza<\/p>\n\n\n\n<p>Resumo: Em <em>Art<\/em> (1994), Yasmina Reza constr\u00f3i um teatro no qual a linguagem \u00e9 o \u00fanico espa\u00e7o de a\u00e7\u00e3o poss\u00edvel e os tr\u00eas personagens principais s\u00e3o sistematicamente incapazes de us\u00e1-la para dizer o que sentem. Marc, Serge e Yvan n\u00e3o est\u00e3o brigando sobre um mero quadro ou arte. Est\u00e3o pedindo ao outro que nomeie o que nenhum dos dois consegue nomear. Esta comunica\u00e7\u00e3o analisa esse paradoxo a partir do conceito de economia emocional do desvio, um padr\u00e3o pelo qual os afetos n\u00e3o circulam diretamente entre os sujeitos, mas se deslocam para objetos, terceiros ou gestos, al\u00e9m de uma posi\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica encarnada: a adapta\u00e7\u00e3o e encena\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a, com a interpreta\u00e7\u00e3o do personagem Marc, por uma pesquisadora cuja trajet\u00f3ria em espa\u00e7os predominantemente masculinos tornou esse c\u00f3digo afetivo reconhec\u00edvel de dentro. Ancorada na autoetnografia anal\u00edtica e nas contribui\u00e7\u00f5es de Bourdieu, Butler, Jaccomard, Carroll e Hochschild, a an\u00e1lise demonstra que a fragilidade masculina n\u00e3o \u00e9 propriedade exclusiva dos homens, \u00e9 o produto de uma estrutura que se transmite a todos que dela participam. A reconcilia\u00e7\u00e3o final da pe\u00e7a sobrevive porque n\u00e3o foi dita. E \u00e9 precisamente a\u00ed que tradu\u00e7\u00e3o e performance se encontram: no gesto que carrega o que a palavra n\u00e3o suporta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014<\/p>\n\n\n\n<p>Guilherme de Oliveira Delgado Filho<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00edtulo: SOBRE DAR \u00c0 VOZ UM POETA: CORPO, PERFORMANCE E TRADU\u00c7\u00c3O&nbsp; EM \u201cAPPARUIT\u201d, DE EZRA POUND<\/p>\n\n\n\n<p>Em carta de 28 de novembro de 1925 a seu pai, Homer, o poeta estadunidense Ezra Pound destaca a organiza\u00e7\u00e3o que pretendia impor ao livro Person\u00e6 (1926), reunindo toda a sua poesia at\u00e9 ent\u00e3o: \u201c[a]s coisas que estou jogando fora s\u00e3o as coisas \u2018molengas\u2019 e os exerc\u00edcios m\u00e9tricos. Pelo menos o que eu me for\u00e7ava a acreditar serem algo mais do que&nbsp; exerc\u00edcios, mas que j\u00e1 n\u00e3o me convencem de que eu tinha algo a dizer quando os escrevi;&nbsp; ou nada al\u00e9m de um sentimento geral de que era hora de escrever um poema.\u201d (BAECHLER; LITZ, 1990, p. 272). \u00c0 luz dessa carta, temos uma primeira evid\u00eancia de que o livro a que temos acesso hoje \u00e9 uma edi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica de todo o material que o autor desejava preservar. Tendo omitido as pe\u00e7as consideradas \u201cmolengas\u201d e os exerc\u00edcios&nbsp; m\u00e9tricos, podemos depreender que aquilo que Pound desejava preservar era uma poesia&nbsp; de impacto e experimentada. Sua men\u00e7\u00e3o \u00e0 retirada de exerc\u00edcios m\u00e9tricos n\u00e3o significou&nbsp; de maneira alguma o favorecimento daquilo que alguns entendem erroneamente como&nbsp; sendo a suposta ess\u00eancia do verso livre, ou seja, um tipo de verso que se op\u00f5e por&nbsp; completo ao verso regular. O que Pound parece apontar em sua carta \u00e9 o fato de que ele&nbsp; buscaria preservar apenas os seus exerc\u00edcios m\u00e9tricos mais bem-sucedidos. Basta&nbsp; notarmos a manuten\u00e7\u00e3o de in\u00fameros poemas centrados justamente em metros tradicionais,&nbsp; a exemplo dos experimentos com metros quantitativos, dos quais a forma da estrofe s\u00e1fica&nbsp; se sobressai. \u00c9 o caso de \u201cApparuit\u201d, poema de Ezra Pound que iremos analisar a partir&nbsp; das no\u00e7\u00f5es de corpo, performance e tradu\u00e7\u00e3o propostas por Flores e Gon\u00e7alves (2017),&nbsp; notadamente a do corpo que se d\u00e1 \u00e0 voz em tradu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Palavras-chave: Tradu\u00e7\u00e3o; Poesia de l\u00edngua inglesa; Ezra Pound; \u201cApparuit\u201d; Performance.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014<\/p>\n\n\n\n<p>Luiz Fernando Huf<\/p>\n\n\n\n<p>Caminhos para a tradu\u00e7\u00e3o das baladas de Edgar Allan Poe<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das formas fixas mais utilizadas pelos poetas angl\u00f3fonos do s\u00e9culo XIX \u00e9 o metro de balada ingl\u00eas. Essa forma, composta por quadras cujos versos variam entre o tetr\u00e2metro e o tr\u00edmetro j\u00e2mbico, est\u00e1 presente nas cantigas infantis, nas brincadeiras de roda e em poemas que buscavam destacar a musicalidade de seus versos. Edgar Allan Poe comp\u00f4s diversos poemas utilizando essa forma, seguindo sua teoria po\u00e9tica que postula que a poesia s\u00f3 atinge seu principal objetivo, isto \u00e9, o prazer, quando sua dimens\u00e3o sem\u00e2ntica \u00e9 &#8220;velada&#8221; pela musicalidade, garantindo o que ele chama de &#8220;indefini\u00e7\u00e3o&#8221;. As ideias de Poe encontraram solo f\u00e9rtil na poesia simbolista, cujos poetas buscavam t\u00e9cnicas novas para gerar musicalidade em seus versos e cada vez mais sugerir uma imagem em vez de claramente delimit\u00e1-la. Assim, levando em considera\u00e7\u00e3o o hist\u00f3rico de tradu\u00e7\u00e3o desse metro em portugu\u00eas e os experimentos simbolistas com o ritmo da poesia brasileira, este trabalho tem como objetivo apresentar caminhos para a tradu\u00e7\u00e3o das baladas de Edgar Allan Poe estabelecendo di\u00e1logos entre seus poemas e os dos poetas simbolistas brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Renata Mocelin Penachio<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00edtulo: Traduzir o ch\u00e3o que traduz: ritmo, corpo e performance nas po\u00e9ticas camponesas.<\/p>\n\n\n\n<p>Resumo: Esta comunica\u00e7\u00e3o prop\u00f5e pensar a tradu\u00e7\u00e3o para al\u00e9m de sua dimens\u00e3o interlingu\u00edstica, compreendendo-a como pr\u00e1tica relacional, r\u00edtmica, performativa, forma de rela\u00e7\u00e3o e inteligibilidade de mundos. A partir da minha pesquisa sobre os cantos de trabalho de camponeses do norte e noroeste de Minas Gerais, investigo o que denomino po\u00e9ticas do ch\u00e3o: regimes sens\u00edveis que articulam linguagem, corpo, territ\u00f3rio e ritmo. Nessa perspectiva, os cantos s\u00e3o, para al\u00e9m de express\u00f5es culturais, modos de inscri\u00e7\u00e3o do corpo no mundo, nos quais a linguagem emerge como acontecimento do cont\u00ednuo de que somos feitos. Em di\u00e1logo com Henri Meschonnic, compreendo o ritmo como organiza\u00e7\u00e3o do sujeito no discurso, deslocando o texto para a corporeidade. Traduzir, aqui, implica mover uma escuta capaz de acompanhar ritmos \u2014 humanos e n\u00e3o humanos \u2014 que constituem a experi\u00eancia: uma tradu\u00e7\u00e3o entendida e estendida como performance do mais-que-humano. Nesse horizonte, a reflex\u00e3o aproxima-se da no\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00e3o em \u00c9douard Glissant, especialmente no que diz respeito \u00e0 opacidade como condi\u00e7\u00e3o de encontro. Em di\u00e1logo com o pensamento ecol\u00f3gico, a etnopo\u00e9tica e as teorias do ritmo, proponho que essas pr\u00e1ticas instauram uma linguagem-vegetal, na qual o corpo n\u00e3o apenas habita o territ\u00f3rio, mas se torna territ\u00f3rio. Nesse sentido, a tradu\u00e7\u00e3o aparece como gesto performativo que desloca o antropocentrismo evidenciando uma dimens\u00e3o cosmopo\u00e9tica da linguagem. Ao pensar o corpo como ch\u00e3o da experi\u00eancia, esta comunica\u00e7\u00e3o busca contribuir para os debates contempor\u00e2neos sobre tradu\u00e7\u00e3o e performance, propondo uma amplia\u00e7\u00e3o do campo tradut\u00f3rio em dire\u00e7\u00e3o a pr\u00e1ticas de coemerg\u00eancia entre diferentes formas de vida.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u2014<\/p>\n\n\n\n<p>Luci Rivka Ramos Mendes<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00edtulo: Sonata de Ver\u00e3o: tradu\u00e7\u00e3o erotohistoriogr\u00e1fica de um poema de Celia Dropkin<\/p>\n\n\n\n<p>Resumo: O presente trabalho apresenta duas propostas de tradu\u00e7\u00e3o do poema Sonata de Ver\u00e3o, da poeta i\u00eddiche Celia Dropkin. Proponho, como horizonte te\u00f3rico e metodol\u00f3gico &#8211; ou seja, como projeto de tradu\u00e7\u00e3o- uma abordagem a partir do conceito de erotohistoriografia, ideia cunhada por Elizabeth Freeman, que consiste de uma abordagem interdisciplinar que utiliza o desejo er\u00f3tico e o afeto queer como ferramentas para reinterpretar a hist\u00f3ria, a literatura e pr\u00e1ticas culturais. Para executar uma tal tradu\u00e7\u00e3o, penso no ato tradut\u00f3rio &#8211; ou transcriador, em termos haroldianos &#8211; como uma forma de performance.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014<\/p>\n\n\n\n<p>Victoria Toscani<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00edtulo: Met\u00e1fora e g\u00eanero em Yoshida Kenko<\/p>\n\n\n\n<p>Resumo: A apresenta\u00e7\u00e3o visa discutir t\u00f3picos da tradu\u00e7\u00e3o da obra Tsurezuregusa de Yoshida Kenko, s\u00e9culo XIV, atrav\u00e9s da an\u00e1lise das diferentes possibilidades tradut\u00f3rias das met\u00e1foras e da distin\u00e7\u00e3o de g\u00eanero ao verter o texto da l\u00edngua japonesa para a l\u00edngua portuguesa. A proposta \u00e9 argumentar sobre dois fen\u00f4menos da tradu\u00e7\u00e3o japon\u00eas-portugu\u00eas: a transposi\u00e7\u00e3o do potencial imag\u00e9tico dos ideogramas para o alfabeto latino, mais especialmente em figuras de linguagem, e a tradu\u00e7\u00e3o de termos naturalmente neutros para a acep\u00e7\u00e3o feminina ou masculina da nossa l\u00edngua, utilizando de exemplos do texto de Yoshida Kenko, compara\u00e7\u00f5es com outras produ\u00e7\u00f5es nip\u00f4nicas e cotejos com variadas tradu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014<\/p>\n\n\n\n<p>Celso Henrique Siller Baptisti<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00edtulo: Prud\u00eancio, o l\u00edrico: sobre pensar ritmo e performance no <em>Liber Peristephanon<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Resumo: Esta comunica\u00e7\u00e3o se ocupa primariamente em apresentar o <em>Liber Peristephanon<\/em> de Prud\u00eancio, obra que retrata os mart\u00edrios crist\u00e3os dos s\u00e9c. I ao IV. Sob o contexto do cristianismo estabelecido como religi\u00e3o de Estado por Teod\u00f3sio, o poeta tarraconense escreve sob variados esquemas m\u00e9tricos, dos e\u00f3licos tradicionais a experimenta\u00e7\u00f5es tardo-antigas, utilizando dos santos da hist\u00f3ria eclesi\u00e1stica como <em>exempla <\/em>de um imp\u00e9rio renovado. Dessa forma, observamos quais s\u00e3o os metros utilizados pelo poeta e propomos formas elementares de tradu\u00e7\u00e3o aclimatativa e performance para alguns destes.<\/p>\n\n\n\n<p>Palavras-chave: Prud\u00eancio, Tradu\u00e7\u00e3o, Polimetria Latina, Antiguidade Tardia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014<\/p>\n\n\n\n<p>Layla Gabriel de Oliveira<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00edtulo: \u201cAurora nasce, de floridos dedos: traduzindo Homero via Emily Wilson\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Resumo: Em 2017, Emily Wilson publicou a sua tradu\u00e7\u00e3o da Odisseia, de Homero, e foi a primeira mulher a traduzir a obra para o ingl\u00eas. Wilson foi clara na sua inten\u00e7\u00e3o de evitar a misoginia contempor\u00e2nea na tradu\u00e7\u00e3o, diferente dos seus predecessores tradutores homens, que muitas vezes optaram por termos pejorativos para retratar as personagens femininas da obra, algo que influencia a leitura. Frente ao protagonismo de Wilson e da sua tradu\u00e7\u00e3o para a discuss\u00e3o sobre a import\u00e2ncia das mulheres nas letras cl\u00e1ssicas, e do interesse de te\u00f3ricos brasileiros pelo fen\u00f4meno (Freitas, 2025; Gon\u00e7alves, 2019; Ragusa, 2023; Gabriel de Oliveira, 2025), essa comunica\u00e7\u00e3o tem por objetivo: 1) analisar a repercuss\u00e3o da tradu\u00e7\u00e3o a partir do olhar cr\u00edtico dos estudos de g\u00eanero na tradu\u00e7\u00e3o e; 2) propor e comentar uma tradu\u00e7\u00e3o da sua tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas, apresentando trechos do poema traduzidos em decass\u00edlabos, de passagens sens\u00edveis de retrata\u00e7\u00e3o do feminino na obra, aproximando mais a discuss\u00e3o acerca da sua tradu\u00e7\u00e3o para o cen\u00e1rio brasileiro. O aporte te\u00f3rico inclui Susanne de Lobtini\u00e9re-Hardwood (1982) e Donna Zuckerberg (2018). A pesquisa e os resultados aqui apresentados s\u00e3o parte de uma tese de doutorado em andamento na Universidade Federal do Paran\u00e1.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Palavras-chave: Tradu\u00e7\u00e3o feminista. Odisseia. Emily Wilson.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014<\/p>\n\n\n\n<p>Ana Appel<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00edtulo: \u201cEspero pelo retorno da lua\u201d: tens\u00e3o e desestabiliza\u00e7\u00e3o de sentido em tradu\u00e7\u00f5es de narrativas ind\u00edgenas sul-africanas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Resumo: Na segunda metade do s\u00e9culo XIX, dois etn\u00f3logos, Wilhelm Bleek e Lucy Lloyd, compilaram, transcreveram e traduziram narrativas ind\u00edgenas da \u00c1frica do Sul, trabalhando em conjunto com indiv\u00edduos do povo |xam. Em um contexto p\u00f3s-apartheid, Antjie Krog, renomada poeta e ativista sul-africana, adaptou, traduziu e versificou um conjunto dessas narrativas para o ingl\u00eas e para o afric\u00e2ner em <em>The Stars Say \u2018Tsau\u2019<\/em> e <em>Die Sterre s\u00ea \u2018Tsau\u2019<\/em> (2004). Tendo em vista que os processos de adapta\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o, ao encenarem uma pr\u00e1tica relacional, tensionam as l\u00ednguas e as culturas envolvidas, a presente comunica\u00e7\u00e3o exp\u00f5e quest\u00f5es da tradu\u00e7\u00e3o dessas narrativas para o portugu\u00eas \u2013 que, por si s\u00f3, envolve uma constela\u00e7\u00e3o de textos \u2013, como a desestabiliza\u00e7\u00e3o do estatuto do <em>original<\/em> e o (des)encontro de mundos.<\/p>\n\n\n\n<p>Palavras-chave: Tradu\u00e7\u00e3o. Antropologia. Antjie Krog.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014<\/p>\n\n\n\n<p>Rodrigo Francisco Barbosa<\/p>\n\n\n\n<p>Titulo: Nietzsche e a po\u00e9tica da forma do vir-a-ser<\/p>\n\n\n\n<p>Resumo: O objetivo deste trabalho \u00e9 apresentar um esbo\u00e7o de leitura sobre o ritmo no pensamento de Nietzsche. O assunto geral, por si s\u00f3, \u00e9 complexo e espinhoso, at\u00e9 para os especialistas. Recentemente, as teorias sobre o ritmo, t\u00eam revelado as dificuldades que o alcance de sua transdisciplinaridade engloba, ao incluir disciplinas que v\u00e3o da discuss\u00e3o \u201chist\u00f3rico-po\u00e9tica\u201d \u00e0 \u201cest\u00e9tico-evolucion\u00e1ria\u201d. Tal amplitude de campo tem exigido dos pesquisadores das diversas \u00e1reas (m\u00fasica, dan\u00e7a, sociologia ou linguagem) ter que lidar com <em>dilemas<\/em> como: a) reconhecer \u201co lugar preciso do ritmo\u201d que \u201cpermanece opaco\u201d; e b) que, ele, \u201co ritmo\u201d \u00e9, \u201csimultaneamente um fen\u00f4meno de fixa\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o da forma, da din\u00e2mica e da mudan\u00e7a do fluxo das coisas\u201d (Eldridge, 2018). S\u00e3o dilemas que atravessam o tempo e chegam at\u00e9 n\u00f3s via Benveniste e Meschonnic, como bem destaca Eldridge. Neste sentido, mais do que resolver esses dilemas ou delimitar uma abordagem m\u00e9trica espec\u00edfica que Nietzsche defenderia, interessa aqui discutir em que medida o fil\u00f3sofo alem\u00e3o leva o problema ao limite por meio de <em>experimentos da forma<\/em>: amalgamando <em>filosofia<\/em>, <em>ci\u00eancia<\/em> e <em>arte<\/em>, no anseio de um dia \u201cparir Centauros\u201d, Nietzsche intensifica esses dilemas produzindo <em>experimentalmente<\/em> uma \u201cfilosofia\u201d e \u201cpo\u00e9tica da forma\u201d (Zittel). \u00c9 talvez, por esse motivo, que Janina Wellmann reconhe\u00e7a, nessa intensiva reflex\u00e3o de Nietzsche sobre o ritmo (esse \u201cnovo jeito de imaginar\u201d), um <em>paradigma epist\u00eamico<\/em> e <em>contraintuitivo<\/em> de \u201cdescrever a cont\u00ednua mudan\u00e7a do tempo\u201d (Wellmann, 2017) que, em paralelo, se desdobrar\u00e1 como o paradigma das reflex\u00f5es na \u00e1rea da embriologia \u2014 uma esp\u00e9cie de \u201cforma do vir-a-ser\u201d (Nietzsche, KWG II,3) para descrever o fen\u00f4meno da vida. Portanto, o interesse aqui \u00e9 demonstrar como a incorpora\u00e7\u00e3o do ritmo (em sua indiscernibilidade) e sua tematiza\u00e7\u00e3o s\u00e3o performadas em seus escritos na forma de uma <em>experimenta\u00e7\u00e3o da forma<\/em>, um modo <em>cent\u00e1urico<\/em> do fil\u00f3sofo se posicionar como \u201cum fil\u00f3logo entre fil\u00f3logos\u201d (\u201c<em>philologus inter philologos<\/em>\u201d), como <em>ritmista do ouvido<\/em> e n\u00e3o metricista do olho.<\/p>\n\n\n\n<p>Palavras-chave: Nietzsche, ritmo, escritos, forma, vir-a-ser.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014<\/p>\n\n\n\n<p>Giovanni Gabriel Cazaroto Pr\u00edncipe<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00edtulo: \u03b1\u1f30\u03cc\u03bb\u03bf\u03bd \u03c3\u03c4\u03cc\u03bc\u03b1: a linguagem entre o iridescente e o s\u00edsmico.<\/p>\n\n\n\n<p>Resumo: \u201cObscuro\u201d, adjetivo escolhido pela enciclop\u00e9dia bizantina Suda, tem sido o ep\u00edteto que, ao menos desde ent\u00e3o, acompanha o poema Alexandra, \u00fanica obra atribu\u00edda ao tragedi\u00f3grafo helen\u00edstico L\u00edcofron de C\u00e1lcis (330\u2013325 a.C.\u2014?) a sobreviver integralmente. Recheado de neologismos, \u201cneosemantismos\u201d, barbarismos e transforma\u00e7\u00f5es ortogr\u00e1ficas, o poema faz valer a sua fama herm\u00e9tica, n\u00e3o somente pelo emprego de termos inovadores, mas tamb\u00e9m por sua peculiar constru\u00e7\u00e3o discursiva que busca nos preceitos enigm\u00e1ticos das m\u00e1ximas oraculares sua refer\u00eancia estrutural. V\u00ea-se, pois, justos e suficientes motivos para designa\u00e7\u00e3o bizantina; por\u00e9m, as complexidades se avolumam ainda quando nos deparamos com a conflu\u00eancia tem\u00e1tica e de arranjo: a narrativa em si traz o mon\u00f3logo de um mensageiro ao rei Pr\u00edamo de Troia a respeito das falas da princesa Cassandra, aqui denominada de Alexandra; refere-se, pois, ao quadro tradicional do mensageiro das trag\u00e9dias gregas, por\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 di\u00e1logos e a tem\u00e1tica \u00e9pica pr\u00e9-guerra de Troia soma-se \u00e0 tr\u00e1gica, p\u00f3s-guerra com amarra\u00e7\u00f5es buscadas em histori\u00f3grafos; al\u00e9m disso, o apelo ao grotesco por vezes faz reverberar uma colora\u00e7\u00e3o c\u00f4mica; ou seja, o poema n\u00e3o se deixa conter pelos apriscos dos g\u00eaneros (Vieira, 2017, p. 7-21). Seria poss\u00edvel, no entanto questionar, ap\u00f3s dois mil\u00eanios a perman\u00eancia do adjetivo \u201cobscuro\u201d, como parece ser o caso de Hornblower (2015, p.v) ao sugerir a \u201cinequivocidade\u201d de trechos controversos do poema bem como a desqualifica\u00e7\u00e3o de L\u00edcofron e seu entorno cronol\u00f3gico como produtor da obra. Buscamos, no entanto, um caminho mais parcimonioso recorrendo a perspectivas da an\u00e1lise do discurso levantadas pela An\u00e1lise do Discurso, mais diretamente Milner (1978-2012) e Gadet e P\u00eacheux (2004), n\u00e3o tentamos desfazer os n\u00f3s dos enigmas para encontrar a mat\u00e9ria oculta de que s\u00e3o feitos; mas analisamos seus entrela\u00e7amentos na expectativa de que seus muitos la\u00e7os nos localizem, se n\u00e3o o artes\u00e3o, a possibilidade espa\u00e7o-temporal da tecelagem que os configuram.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Palavras-chave: An\u00e1lise do discurso, Alexandra, L\u00edcofron<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>1\u00ba Simp\u00f3sio Tradu\u00e7\u00e3o e Performance<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>PGLetras&nbsp;UFPR<\/p>\n\n\n\n<p>2 \u2013 4 JUN 2025<\/p>\n\n\n\n<p>Edif\u00edcio D. Pedro I, Anfiteatro 100<\/p>\n\n\n\n<p>Performances nos dias 3 e 4 de junho: Casa Pagu &#8211; Rua Benjamin Constant, 400<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Programa\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&gt;Segunda-feira, 02 de junho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>14h ANFI 100 Confer\u00eancia: \u201cTradu\u00e7\u00f5es coletivas: traduzindo literatura brasileira a muitas m\u00e3os no Chile\u201d \u2013 Leticia Goellner (PUC-Chile). Anfiteatro 100.<\/p>\n\n\n\n<p>16h ANFI 100 Mesa-redonda: Celso Baptisti: \u201cTradu\u00e7\u00e3o e s\u00edmbolo n\u2018A edifica\u00e7\u00e3o do templo da alma\u2019 (Psych., vv. 823-887)\u201d. Guilherme Bernardes: &#8220;Na cabe\u00e7a o xampu, lave bem o seu&#8230; p\u00e9!&#8221;: tradu\u00e7\u00e3o e performance de Rimas-mentais. Layla de Oliveira: \u201cDesde o in\u00edcio&#8221;: traduzindo o pro\u00eamio da Odisseia, de Emily Wilson&#8221;. Rodrigo Barbosa: O &#8220;\u00faltimo disc\u00edpulo do deus Dioniso&#8221; veste a jaqueta do &#8220;jo\u00e3o-lingui\u00e7a&#8221;. Media\u00e7\u00e3o: F\u00e1bio Paifer Cairolli.<\/p>\n\n\n\n<p>19h ANFI 100 Fala-Performance: \u201cA letra, a voz e o som: algumas hip\u00f3teses sobre leitura e sonoriza\u00e7\u00e3o de poemas\u201d \u2013 Jeanne Callegari.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&gt;Ter\u00e7a-feira, 03 de junho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>14h ANFI 100 Confer\u00eancia: &#8220;Voz, performance e a Antropofagia de Oswald de Andrade&#8221; \u2013 Lucio Agra (UFRB).<\/p>\n\n\n\n<p>16h ANFI 100 Mesa-redonda: Lucas Lazzaretti: \u201cExpress\u00e3o e sentido: uma reflex\u00e3o sobre a tradu\u00e7\u00e3o de Alfabet de Inger Christensen\u201d. Julia Raiz: \u201cUma triangula\u00e7\u00e3o er\u00f3tica: tradu\u00e7\u00e3o &#8211; a\u00e7\u00f5es performativas &#8211; escrita\u201d. Luna Madsen: \u201cPerformance como dever po\u00e9tico em Anne Waldman\u201d. Nicolas Wolaniuk: \u201cArist\u00f3fanes na rua: o processo de montagem e adapta\u00e7\u00e3o d&#8217;As R\u00e3s pelo Grupo H\u00e1pax\u201d. Media\u00e7\u00e3o: Rodrigo Tadeu Gon\u00e7alves.<\/p>\n\n\n\n<p>19h CASA PAGU Performance: \u201cAs R\u00e3s\u201d \u2013 Grupo H\u00e1pax<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&gt;Quarta-feira, 04 de junho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>14h ANFI 100 Mesa-redonda: Eduardo Vicenzi: \u201cTradu\u00e7\u00e3o e Performatividade na clinica psicanal\u00edtica\u201d. Luciane Mendes: \u201cTraduzir de ouvido: ritmo e voz em 3 poemas de Hilda Doolitle\u201d. Tom Jones Carneiro: \u201cOraturas do Xang\u00f4 do Recife &#8211; tradu\u00e7\u00e3o-oriki e experimenta\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas\u201d. Sergio Maciel: &#8220;Traduzir o miasma, resgatar a f\u00faria n&#8217;As Fen\u00edcias de S\u00eaneca&#8221;. Media\u00e7\u00e3o: Guilherme Gontijo Flores.<\/p>\n\n\n\n<p>16h ANFI 100 Confer\u00eancia: \u201cHomero no teatro\u201d \u2013 Octavio Camargo (UFPR)<\/p>\n\n\n\n<p>19h CASA PAGU Performance: \u201cIliada, Canto 17\u201d \u2013 Adriano Peterman; Jeanne Callegari&nbsp;\u2013 Performance po\u00e9tica&nbsp;e Pecora Loca&nbsp;\u2013 \u201cO show de Catulo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Comiss\u00e3o organizadora:&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Guilherme Gontijo Flores<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>F\u00e1bio Paifer Cairolli<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Rodrigo Tadeu Gon\u00e7alves<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Alan Santiago<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Carlos Neves<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Celso Baptisti<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Giovanna Campara<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Giovani Cazaroto<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Layla Gabriel de Oliveira<\/em>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Luiz Huf<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Luna Madsen<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Martim Fernandes<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Rodrigo Francisco Barbosa<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Rubia Santiago Gonzaga<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Proposta:<\/p>\n\n\n\n<p>Aproveitando o hist\u00f3rico de trabalhos e publica\u00e7\u00f5es dos docentes e discentes da UFPR ligados aos dom\u00ednios da tradu\u00e7\u00e3o, performatividade, performance, cr\u00edtica, cria\u00e7\u00e3o e recep\u00e7\u00e3o de textos liter\u00e1rios e filos\u00f3ficos, este simp\u00f3sio visa inaugurar um espa\u00e7o peri\u00f3dico de encontro e de discuss\u00f5es sobre projetos tradut\u00f3rios e estudos sobre tradu\u00e7\u00e3o e performance, em que as palestras, mesas redondas, apresenta\u00e7\u00f5es de trabalhos e apresenta\u00e7\u00f5es culturais girem em torno dos seguintes temas:<\/p>\n\n\n\n<p>(a) performance e coment\u00e1rio de tradu\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias pr\u00f3prias ou objeto de estudos de discentes e docentes<\/p>\n\n\n\n<p>(b) estudos sobre a dimens\u00e3o performativa da tradu\u00e7\u00e3o e suas rela\u00e7\u00f5es com a filosofia, a cr\u00edtica liter\u00e1ria e as teorias da recep\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>(c) estudos relacionados \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o como cria\u00e7\u00e3o e como cr\u00edtica<\/p>\n\n\n\n<p>(d) estudos relacionados \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o feminista, aos estudos de g\u00eanero e aos estudos de performance<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>II Simp\u00f3sio Tradu\u00e7\u00e3o e Performance &#8211; 13 a 15 de maio de 2026 http:\/\/instagram.com\/traducao.performance \/ step.ufpr@gmail.com Realiza\u00e7\u00e3o: Universidade Federal do Paran\u00e1 (Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Letras,&nbsp; Departamento de Polon\u00eas, Alem\u00e3o e Letras Cl\u00e1ssicas e projeto Omnibus: Letras cl\u00e1ssicas para todo mundo Apoio: Programa Capes-Proex Local: Curitiba, Paran\u00e1 &#8211; Ed. D. Pedro I, Ria Gen. 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