Projetos de Pesquisa
Justiça além do clique: a construção da representação política em plataformas digitais de participação
Descrição: O projeto investiga a formalização dos canais participativos como conselhos, conferências, comissões, plataformas digitais de consultas como inovação democrática que promete aprimorar a participação. A partir da literatura sobre participação política (AVRITZER, 2011, 2008; LUCKMANN, 2011 e outros), inovações democráticas digitais (FREITAS, 2020; POGREBINSCHI, 2021; SMITH, 2009) e da teoria tridimensional da justiça (FRASER, 2013, 2009, 2002,1990), procura discutir e compreender como os espaços deliberativos propiciados por esses canais elaboram demandas para o sistema político. Através de observação de campo (acompanhamento de reuniões e discussões nos ambientes digitais), entrevistas com membros desses grupos e análise documental (documentos produzidos nas diferentes áreas de atuação como saúde, educação, meio ambiente e outras), o estudo observa como a habilidade argumentativa atua na conversão de discursos em objetos de decisão política. O objetivo é avaliar em que medida esses mecanismos contribuem para a paridade de participação, trabalham para estabelecer caráter vinculante para as decisões ou se permanecem como instâncias consultivas sem efeito prático na agenda governamental..
Integrantes: Kelly Cristina de Souza Prudencio – Coordenador / Patricia Del Claro – Integrante / Karina Pierin Ernsen Alves – Integrante / BARTOLOME, PEDRO VILHENA – Integrante / Eduardo Veiga Nogueira – Integrante / Kamila Vintureli Felicio – Integrante / Aline Fernandes de Souza ]França – Integrante.
Ativismo político em lutas por justiça social nas redes digitais
Descrição: O projeto de pesquisa tem como objetivo compreender as lutas por justiça nos ambientes digitais a partir das estratégias de comunicação dos atores sociais em embates argumentativos. Parte do pressuposto de que os ambientes digitais radicalizam posições e que isso interfere nas formas de comunicação política. Diante disso, a pergunta que se coloca é que tipo de comunicação política se desenvolve a partir do ativismo digital por demandas de justiça social? Entende-se que essas demandas podem caracterizar lutas com caráter emancipatório e lutas com caráter de submissão, de acordo com a perspectiva da teoria da justiça de Nancy Fraser. A proposta metodológica é de análise de conteúdo de postagens agregadas por hashtag nas plataformas X, Instagram e Tik Tok em discussões que mobilizem esse recurso. A pesquisa prevê uma segunda fase, na qual serão realizadas entrevistas com ativistas para observar como ativistas percebem avanços e recuos nas lutas por igualdade e inclusão a partir da participação ou não nos processos de hashtaging. Assim, a pesquisa se delineia 1) pelo monitoramento de hashtags selecionadas, que agrupem discussões de grupos em busca de justiça social, na direção de caracterizar o ativismo digital como esforço de comunicação política em ambientes polarizados e acirrados ideologicamente, e 2) pela realização de entrevistas com ativistas sobre sua percepção dessa ação e como trabalham com essa estratégia, procurando extrair os dilemas das lutas contemporâneas..
Integrantes: Kelly Cristina de Souza Prudencio – Coordenador / Carla Rizzotto – Integrante / Helen C. Anacleto – Integrante / Louize Nascimento – Integrante / Patricia Del Claro – Integrante / Rafaela Cunico Hyczy – Integrante.
Ativismo conservador e reacionário nas redes digitais: a comunicação da nova direita no Brasil.
Descrição: O crescimento da chamada nova direita nas redes digitais se apresenta como um fenômeno cujas características precisam ser observadas pelo viés da comunicação política. Dessa forma, a pesquisa busca observar os perfis conservadores e reacionários, os quais, diferentemente dos perfis progressistas que lutam para pautar a ampliação de direitos, trabalham para refutar os princípios de justiça social em nome de valores como individualismo, meritocracia e para combater o que chamam de privilégios das minorias. Para isso, então, a proposta é verificar como esses perfis enquadram suas questões e adversários e lutam para construir influência política a partir da visibilidade que alcançam nas redes digitais. Postagens e comentários dos perfis mais influentes no Twitter e no Facebook passarão por análise de enquadramento com enfoque nas características da comunicação voltada para mobilização política. Essa investigação se situa num momento de acirramento de posições nas redes digitais, espaços privilegiados para observar a disputa de enquadramentos em torno de questões controversas. Nesse sentido, a pesquisa contribui para a compreensão de um contexto político marcado pela polarização e recrudescimento das relações entre diferentes e, como interesse direto da pesquisa, para o entendimento do papel da comunicação na configuração desse cenário. A pesquisa integra os projetos de pesquisa do Instituto de Ci#7869;ncia e Tecnologia em Democracia Digital, INCT-DD..
Integrantes: Kelly Cristina de Souza Prudencio – Coordenador / Lenise Aufbrift Klenk – Integrante / Pedro de Souza Lima Brodbeck – Integrante / Karina Ernsen Alves – Integrante.
A pergunta feita da forma correta: paridade de participação e justiça social interseccional no posicionamento de brasileiros sobre o aborto
Descrição: A criminalização do aborto faz com que o direito ao próprio corpo, à integridade física e psíquica e à dignidade, se dê de forma diferente entre homens e mulheres. Ainda, ao olharmos para o controle sobre o próprio corpo sob uma perspectiva de classe e racial, a liberdade e o controle são seletivos, pois a criminalização do aborto afeta desproporcionalmente mulheres negras e indígenas, pobres e de baixa escolaridade, que vivem distantes de centros urbanos. Além disso, essas mulheres não participam em iguais condições das deliberações públicas ou da tomada de decisões acerca do assunto. Tendo como referencial teórico o modelo tridimensional de justiça de Nancy Fraser, que incorpora tanto demandas por reconhecimento, quanto por redistribuição e representação, como forma de justificar demandas e promover justiça social, entendemos que se trata, portanto, de um direito inquestionável das mulheres, que, entretanto, não é considerado pela legislação brasileira. Partimos da premissa de que a discussão no âmbito legislativo e judiciário não é levada adiante porque seus integrantes têm receio da opinião pública, a qual várias pesquisas de opinião têm mostrado ser majoritariamente contrária à descriminalização da prática. Todavia, entendemos também que a forma como a opinião das pessoas é mobilizada nessas pesquisas é feita de forma enviesada, justamente por não considerar as interseccionalidades que a pauta abarca. Diante disso, esta pesquisa tem como objetivo elaborar um mapa sobre os efetivos posicionamentos acerca da descriminalização do aborto, a partir da realização de surveys e da condução de grupos focais, que possibilitará a validação qualitativa dos dados levantados; com vistas a incentivar a discussão, no âmbito dos poderes legislativo e judiciário, da temática da descriminalização do aborto, visando fornecer subsídios para a construção de um modelo interseccional de justiça social que promova a paridade de participação das mulheres..
Integrantes: Carla Candida Rizzotto – Coordenador / Amanda Renaly – Integrante / Rafaela Sinderski – Integrante / Natália Assueiro – Integrante / Sophia Isabella Martinez – Integrante / Kalytha Daniele Fernandes – Integrante.
Racionalidade versus histórias de vida: uma análise das estratégias comunicacionais deliberativas em debates polêmicos e polarizados
Descrição: A democracia deliberativa visa descentralizar as decisões políticas dos meios burocráticos do Estado, através da participação civil (HABERMAS, 1984). De maneira simplificada, diz-se que o objetivo da deliberação é atingir o consenso pela força do melhor argumento. Iris Young (2001), todavia, alega que essa concepção acaba por valorizar o estilo discursivo assertivo e confrontacional, silenciando determinados grupos. Por isso propõe que outras formas de comunicação, além da argumentação racional, sejam levadas em conta nos processos deliberativos, permitindo que públicos diferentes discursem de formas que são mais permeáveis a eles. Com base na proposição de Young, delineia-se o problema desta pesquisa: a que estratégias comunicacionais recorrem os indivíduos na formulação e na exposição de suas opiniões sobre temas polêmicos, com vistas ao convencimento de seus interlocutores? Como tema polêmico optou-se pela discussão em torno da descriminalização do aborto, uma questão que envolve em sua discussão o resgate de histórias de vida e na qual é perceptível uma profunda influência de valores individuais em detrimento de um direcionamento ao bem comum. O corpus dessa pesquisa compreende discussões que ocorrem em terceiros espaços (MENDONÇA; SAMPAIO; BARROS, 2016), ou seja, em arenas que não possuem a deliberação como fim, buscando com isso contribuir com as discussões acerca do potencial democrático do debate online. Para tanto, optou-se por realizar uma análise de conteúdo de comentários postados em vídeos do YouTube, posts de revistas semanais no Facebook e posts do blog Escreva, Lola, escreva, que tratavam da temática do aborto, totalizando 3.378 comentários. Tem-se como hipóteses que (H1) os participantes, para convencer seus interlocutores, utilizam estratégias que vão além da argumentação racional, recorrendo frequentemente a elaborações retóricas e a histórias pessoais com vistas a sensibilização; dessa forma, (H2) os espaços online são locus deliberativos sempre que consideradas outras formas de comunicação mais permeáveis aos diferentes grupos como a saudação, a retórica e a narração..
Integrantes: Carla Candida Rizzotto – Coordenador / Luciane Leopoldo Belin – Integrante / Aléxia Saraiva – Integrante / Giovanna Palha Fantinato – Integrante / Luana Lopes Soares – Integrante / Giulia Gomes Voltolini – Integrante / Leticia Pille – Integrante / Manuel Alejandro Gonzalez Valdes – Integrante.