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Nas últimas décadas, o aumento da sobrevida ao câncer tornou-se um dos principais avanços da oncologia em escala global. Esse progresso trouxe novos desafios assistenciais, sociais e éticos, já que milhões de pessoas vivem após o tratamento convivendo com efeitos tardios, alterações funcionais e demandas relacionadas à reabilitação, reinserção social e qualidade de vida. Nesse cenário, a sobrevivência ao câncer passou a ser reconhecida por organizações internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o National Cancer Institute (NCI), como o quarto pilar da oncologia, ampliando o cuidado para além do controle da doença.
Apesar dos avanços terapêuticos, muitos sistemas de saúde ainda enfrentam dificuldades para estruturar modelos de atenção voltados ao período pós-tratamento. Em diversos contextos, o foco permanece na fase aguda da doença, enquanto as necessidades físicas, psicossociais e sociais dos sobreviventes seguem parcialmente atendidas. A produção científica na área também permanece fragmentada, reforçando a importância de iniciativas colaborativas, multicêntricas e interdisciplinares que integrem evidências e fortaleçam estratégias sustentáveis de cuidado em longo prazo.
Nesse contexto, a ReCANCER – Rede de Pesquisa em Cuidados e Qualidade de Vida de Sobreviventes de Câncer surge como uma iniciativa científica colaborativa e interdisciplinar dedicada à produção de conhecimento, ao desenvolvimento de tecnologias em saúde e à formulação de estratégias de cuidado e políticas públicas voltadas às pessoas que vivem após o câncer. Por meio da cooperação entre pesquisadores, profissionais de saúde e instituições nacionais e internacionais, a ReCANCER busca contribuir para o fortalecimento de um modelo de cuidado mais integral, equitativo e centrado nas necessidades dos sobreviventes.